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Com apenas 77 palavras, os alunos de 8.º ano escreveram histórias de superação a terminar  obrigatoriamente com a frase «Eu sabia que era capaz». 

1

Nia S.

O meu sonho era nadar até uma pequena ilha. Não sabia se conseguia, mas, no fundo, tinha esperança. E talvez fosse essa esperança que me motivasse a cada tentativa e falha. Desde pequena tinha esse desejo. No início, eram só pensamentos, até decidir entrar no mar e nadar com esse objetivo em mente. Depois de muito esforço, toquei na areia da pequena ilha. Deitei-me ali, muito cansada, e percebi que, no fundo, eu sabia que era capaz.

2

Duarte F.

Estava no quarto a jogar FIFA. Era meia-noite. Não podia falar porque os meus pais estavam a dormir. Entrei na partida concentrado.

Aos cinco minutos, a minha equipa sofreu um golo. Doze minutos depois, marcaram outro golo. Os meus ossos até gelaram.

Ao intervalo, estávamos a perder, mas voltámos focados. Marcámos aos 50 minutos. Empatámos aos 70 e, por fim, marcámos aos 90. Piiiiii. Soa o apito e eu berro em silêncio: “Eu sabia que era capaz”!

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3

Teresa R.

Elisa tinha muito medo do escuro. Quando ficava às escuras, desesperava e chorava até a luz voltar.

Um dia, enquanto brincava com uma amiga, comentou o seu medo. E a amiga disse: “Quando fica escuro, é porque a Lua nos quer ver”.

Elisa ficou com a frase da amiga na cabeça. Pensou nisso até anoitecer. Já deitada na cama, experimentou dormir sem a luz acesa, pensando na Lua.

Quando acordou, disse orgulhosa: “Eu sabia que era capaz”.

4

António M.

Tive mais uma aventura de pesca, no rio. Mandei o isco para longe, mas esqueci-me de fechar o carreto e o fio ficou preso. Quando o retirei da água, lancei-o outra vez, mas o anzol ficou preso na minha blusa. Ao retirá-lo, ficou espetado no meu dedo. Cortei o fio para tirar o anzol e lá fui eu montar tudo novamente. Quando voltei, apanhei um peixe de vinte quilos. Valeu a pena. Eu sabia que era capaz.

5

Ema L.

Sempre achei que a minha vizinha era estranha. Resolvi observá-la durante uma semana para recolher pistas.

Vi-a entrar num bosque. Fui atrás dela. Desapareceu. Encontrei-a depois vestida com uma capa preta, levava uma caixa enorme. Percebi que tinha sapos de estimação em casa e, à noite, ouviam-se vozes em casa dela, mas morava sozinha.

Arranjei coragem e perguntei-lhe se sabia fazer feitiços. Contou-me baixinho que era bruxa. Consegui, finalmente, desvendar o mistério. Eu sabia que era capaz!

6

João N.

Tínhamos o melhor avançado da época lesionado. Ficámos todos abalados, pois ele era o pilar para o sucesso da equipa. No entanto, ele nunca desistiu.

Um mês após a operação, começou a recuperação e a fisioterapia. Enquanto ele recuperava, os resultados da equipa emagreciam. Passámos para terceiro lugar.

Depois de longos meses, já em forma, o nosso avançado ajudou a equipa a ganhar com facilidade o campeonato. Nessa altura, pensou com orgulho: Eu sabia que era capaz!

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7

Leonor P.

Cheirava a queimado e tudo o que eu via era vermelho. A serra estava em chamas. Estava lá com vários amigos, conhecidos, vizinhos e pessoas de vilas vizinhas. Entrámos por um atalho que ia para uma fonte porque precisávamos de água. Não nos avisaram que aqueles eucaliptos eram agora cinzas e combustível para o fogo. As labaredas subiram e vinham na nossa direção. Chamámos ajuda e, juntos, conseguimos apagar o grande incêndio. Eu sabia que era capaz!

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8

Fernando D.

Era uma segunda-feira comum, mas para mim talvez não fosse. O dia começou chato, com uma aula de Matemática. Todos faziam contas e eu pensando em quanto tempo faltava para a aula acabar. Estava muito ansioso. Teria de ter coragem no intervalo. Queria pedir em namoro uma pessoa muito especial. Quando tocou, fui na direção dela para fazer o pedido… Ela pensou durante um momento, sorriu e disse: “Eu aceito”. Pensei aliviado: Eu sabia que era capaz!

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9

Matilde P.

Simão tinha medo de alturas e, nas piscinas, nunca conseguia saltar da prancha.

Um dia, quando estava com os amigos, eles disseram-lhe: “Tens de saltar e perder esse medo”. No início, não achou boa ideia e, por isso, ficou na toalha. Mas, com tanta insistência, lá ganhou confiança e decidiu tentar. Subiu as escadas até à prancha, devagar, e quando chegou mesmo lá acima, estava a tremer. Saltou e gritou com força: “Eu sabia que era capaz!”

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10

Isaac V.

Fui para o campo com o meu pai. Era altura da ceifa do milho no Alentejo. Fiquei no trator com o reboque engatado. O reboque ficou cheio e fui até ao monte para despejá-lo. Eu ia em quinta, quando um javali se atirou para a frente do trator. Foi nesse momento que me apercebi que estava sem travões. Puxei o travão de mão rapidamente. Assim evitei que ele morresse. No fim, pensei: Eu sabia que era capaz!

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11

Liliana L.

A minha relação com as galinhas não é muito boa e a minha mãe sabe disso. No entanto, pediu-me para lhes dar farinha, pois ela não estaria em casa nem a minha irmã.

Eu pensei em pedir ajuda à vizinha, mas ela tinha ido ao mercado. Então comecei a ficar desesperada, com medo. Porém, não tinha outra opção. Peguei numa vassoura e num copo de farinha e lá fui.

No final, pensei: Eu sabia que era capaz!

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12

Lourenço I.

Era a melhor equipa do campeonato. Eu e a minha equipa íamos enfrentá-la no fim de semana seguinte. Ninguém acreditava na nossa vitória, exceto eu. Ainda tínhamos a semana toda para treinar. Os outros eram muito bons nas bolas paradas, por isso, tínhamos de ter uma boa defesa.

Depois de uma semana intensa, fomos para o jogo confiantes. Começámos a perder, mas conseguimos marcar dois golos. Fui eu que os marquei. Bestial! Eu sabia que era capaz!

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13

Flor V.

Há alguns anos, plantei uma árvore. Pus tanto trabalho nela… Dias e noites, se fosse preciso, só a regá-la. Nem só a um animal doméstico é possível ter tanto apego. Eu, realmente, tinha um vínculo com aquela planta.

Um dia, o meu avô cortou-a. Quase morri. Nunca consegui recuperar do desgosto. Porém, recentemente, resolvi plantar outra. Hoje tenho uma laranjeira idêntica e criada com o dobro do amor que tinha pela outra. Eu sabia que era capaz.

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14

Aércio L.

Carlos, um jogador de futebol, tirou férias depois de uma boa época. A alimentação é uma parte fundamental para qualquer atleta. Carlos descuidou-se nas férias. Comeu em excesso, quebrando as regras.

Quando voltou de férias, o corpo já não era o mesmo. Sentiu muita dificuldade em campo e acabou no banco. Arrependeu-se do que fez e deu o seu máximo para emagrecer.

Depois de muito esforço, voltou a ser titular e pensou: Eu sabia que era capaz!

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15

Inês F.

Estava numa viagem em Santiago de Compostela com o meu grupo de escuteiros. Era um dia de muito calor. Estávamos todos a jogar Geocaching há tanto tempo que eu tive de me sentar um pouco e beber um gole de água. Enquanto bebia, a tampa caiu da garrafa. Escorregou-me da mão. Quando a apanhei, reparei numa pequena caixa preta. Chamei por todos. Ficaram muito felizes e aliviados por eu a ter encontrado. Eu sabia que era capaz!

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16

Mariana P.

Era terça-feira. José foi para a escola. Era um dia normal como tantos outros. Quando lá chegou, foi ter com os amigos, mas reparou que eles estavam muito estranhos. Foram para as aulas. Quando chegou a hora do almoço, percebeu que os seus próprios amigos tinham criado um grupo para fazer cyberbullying com ele. Mas, mesmo assim, embora traído, José não desistiu. Denunciou-os e, algum tempo depois, pensou: Finalmente o cyberbullying acabou. Eu sabia que era capaz!

17

Luana M.

Estava a fazer cócegas à mana. Ela deu-me uma cotovelada e disse que foi sem querer. Fiz queixa à mãe e ela respondeu que a mana estava a brincar. Mas eu vi na cara da minha irmã que tinha sido de propósito, por isso, combinámos uma luta. A meio, a mãe chegou e separou-nos. Ficámos de castigo. Arrumei a casa e fiz um bolo à mãe. Saí do castigo, a mana ficou. Eu sabia que era capaz.

18

Emília D.

Há um cantor muito famoso que passou por complicações até chegar onde está hoje. Tudo começou quando era novo. Adorava música e, como é óbvio, gostava de cantar. Quando tentou lançar a sua primeira música, fracassou, mas isso não o desmotivou. Alguns anos depois, tentou de novo e lançou outra música. Assim, foram aparecendo mais fãs até ele se tornar em quem é hoje. Agora, em palco, quando canta, sorri e pensa: Eu sabia que era capaz!

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Todas as crianças têm direito a uma identidade: a um nome e a uma nacionalidade.

As crianças têm direito a uma justiça adequada à sua idade.

Todas as crianças têm o direito de crescer com saúde.

As crianças têm o direito de brincar.

Sempre que possível, as crianças devem viver com a sua família.

As crianças têm direito à vida privada.

Os deveres das crianças.

Os Direitos das Crianças,

de Luísa Ducla Soares 

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